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Editorial

Porque é que lemos dark romance?

O dark romance é um dos subgéneros mais polémicos e estigmatizados atualmente. Os ataques são claros e são duros: o dark romance romantiza o abuso. O dark romance desculpabiliza agressores. O dark romance fetichiza o abuso sexual.

Obviamente que eu não acredito em nenhum destes argumentos, caso contrário não publicaria nem leria tantos livros do género. Os romances deste subgénero retratam, sim, dinâmicas de poder desequilibradas, personagens moralmente questionáveis e situações extremas que podem ter que ver com o casal principal do livro ou podem ser externas ao casal – um excelente exemplo deste último caso é a trilogia Edge of Darkness, que recomendo muito, apesar de não ser da minha editora 😅

Mas é verdade. Há livros em que (normalmente) o personagem principal masculino comete ações que, na vida real, seriam altamente reprováveis: perseguição, consentimento dúbio e o já clássico “toca-lhe e morres”. Isto significa que queiramos algo semelhante para as nossas vidas? Claro que não! Então, porque é que adoramos estes homens ao ponto de os designarmos como “book boyfriends”? Bem, porque é ficção. Porque temos fantasias. Porque, acima de tudo, eles beijam o chão em que as suas mulheres andam. Mas, novamente, porque é ficção! Eu não quero ser amiga de um serial killer, mas adoro thrillers e tenho um fascínio por homens ou mulheres que cometem atrocidades na ficção.

O dark romance é para toda a gente? Não. Não queremos que menores de 18 anos os leiam. Não queremos que se desencadeiem traumas em leitores, e é por isso que os avisos de conteúdo devem ser levados muito a sério.

E será que… deve ser censurado? Na minha opinião, não, mas não acho que o dark romance deva ser uma desculpa para um “vale tudo”. Os autores e editores devem ter em atenção situações que, de facto, romantizem o abuso sexual e, na minha opinião, devem ter muito cuidado quando escrevem sobre questões que envolvam menores ou animais. Há coisas que eu não considero aceitáveis, que nunca publicaria e em relação às quais compreendo perfeitamente o chorrilho de críticas que podem trazer. Dito isto, não acredito em censura. Acredito em avisos de conteúdo, acredito em leitores informados e acredito na liberdade de expressão (para criticar também).

Se te vais aventurar neste género, não podemos deixar de recomendar o nosso Às Escuras, por ser uma dark rom-com muito querida, divertida, bem escrita e com um MMC que é um stalker cinnamon-roll. Não te esqueças: lê os avisos de conteúdo. Fala com criadores de conteúdo, autoras e editoras sobre os livros, se tens algum receio ou se precisas de mais recomendações. E lê o que te dá prazer!

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