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Entrevista a Sandra May
«Não a tratei e não a criei como vilã, tratei-a como humana.»
Sandra May escreve histórias onde a mente humana é o palco. Fascinada pelo que se esconde atrás do pensamento mais inocente, constrói thrillers psicológicos que desmontam certezas, expõem fissuras e convidam o leitor a atravessar corredores onde nada é o que parece.
O seu propósito não é desvendar como aconteceu, mas porquê, tendo como missão conduzir quem a lê até ao limite, transportando o leitor para lugares de onde ninguém regressa exatamente igual
Fiquem com uma pequena entrevista, mas não se deixem enganar! É curta, mas inquietante…
Tu Mataste-me Primeiro começa com uma frase muito forte: “Matei o meu marido.” Porque é que decidiste começar a história desta forma?
Considero que começar com uma confissão é ousado, provocador e que prenderia de imediato os leitores. Este thriller não tem como objetivo saber quem o fez, quando o fez ou como o fez, mas sim PORQUE o fez. Não havia melhor abertura do que essa para este livro.
A Serena é uma personagem que praticamente saltou para fora do papel aos olhos dos nossos leitores. Como foi construir a mente desta personagem?
A Serena teve uma construção longa. Mais do que construí-la, eu queria que ela fosse revelada. Revelada em mim e nos leitores. Demorei algum tempo a conhecê-la mas, assim que a deixei entrar , quase nos tornamos na mesma pessoa. Diria que foi um processo “perigoso” mas valeu muito a pena o risco. Não a tratei e não a criei como vilã, tratei-a como humana. E isso foi, talvez, o mais inquietante porque, quando damos voz às partes mais cruas, percebemos que a linha entre “eu” e “ela” é muito mais fina do que gostaríamos de admitir.
O livro tem tido uma receção incrível por parte dos leitores. O que significou, para ti, chegar ao top da WOOK ainda na pré-venda?
Chegar ao top da WOOK ainda em pré-venda foi… estranho, no melhor dos sentidos. Senti gratidão, claro, mas também responsabilidade. Porque, quando alguém escolhe um livro antes de ele existir nas mãos, está a fazer um ato de confiança. E a confiança é das coisas mais perigosas e mais bonitas que existem. Agradeço imenso em quem confiou em mim e na Euforia para investir do seu tempo, do seu dinheiro, para nos ler. Tornou-me uma escritora mais exigente, sem sombra de dúvida.
Que autores/livros te inspiram a escrever e quais inspiraram o Tu Mataste-me Primeiro?
Vou dizer sem rodeios quem me inspira diariamente. Dot Hutchison, Robin Cook, Alice Feeney e Miguel d’Alte. Sei que tenho uma escrita muito diferente da deles mas todos eles contribuem para que exija de mim e que me entregue completamente às minhas histórias. Devo confessar que quem influenciou mesmo MUITO para escrever o Tu Mataste-me Primeiro foi a Dot Hutchison, quando li O Jardim das Borboletas. Sem sombra de dúvida.
Que mensagem queres deixar aos leitores portugueses?
Vou deixar mais uma provocação do que uma mensagem, se me permites. (Nós permitimos QUASE tudo às nossas queridas autoras 😂) Leiam sem pressa e sem distância. Entreguem-se. Permitam-se sentir desconforto, dúvida, e até alguma culpa. Porque as histórias têm o poder de nos obrigar a olhar para dentro e perguntar: Se fosse eu… faria assim tão diferente? (A resposta, muito provavelmente, é mais assustadora do que estávamos à espera).
Magda Filipe



