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Os livros favoritos de… Rita Fonseca, a nossa editora do 🖤

Como assim, uma editora tem de escolher os seus livros favoritos? Não me parece nada justo. Zero. Não gosto. Mas pronto, está bem, eu sei que tem de ser (a Magda ameaçou-me). 

O favorito dos favoritos, o livro que me fez apaixonar pela leitura foi As Vinhas da Ira de John Steinbeck. Desengane-se quem acha que Steinbeck é um escritor inacessível e complicadíssimo por ter ganhado o Nobel da Literatura e por ter uns quantos calhamaços. Steinbeck é um belíssimo escritor, mas é um escritor para as massas, com uma prosa simples e fluída, capaz de apaixonar até aqueles que torcem o nariz a esta atividade que consideramos tão prazerosa. As Vinhas da Ira conta-nos um momento de crise, um momento negro, nos Estados Unidos: a grande depressão. Acompanhamos a travessia de uma família até à Califórnia, em busca do mais básico: a capacidade de sobreviver e não passar forme. Intercalado com episódios fora da narrativa central, As Vinhas da Ira é um livro duríssimo, mas com uma sensibilidade que só um grande autor consegue transmitir através das suas personagens, das relações entre elas (quem não queria ter uma Ma Joad?) e da tentativa de o afeto superar o desespero. Recomendo muitíssimo a qualquer pessoa, independentemente do género literário predileto. 

Passando para algo que não tem nada a ver, eu adoro Manga e banda-desenhada. Uma das que mais me marcou foi Uzumaki de Junji Ito. Esta não é mesmo para estômagos fracos, pois tem imagens horripilantes, nojentas e capazes de induzir pesadelos durante várias noites. Nunca mais vão olhar para uma espiral da mesma forma. E, se comprarem o livro… mantenham-no nas estantes mais altas para os vossos filhos não chegarem lá, ok? 

Mais coisas que não têm nada a ver? Ok! Comprei a minha cópia de Handmaid’s Tale há séculos num mercado qualquer em Londres. Na altura, não conhecia a Margaret Atwood (nem sabia que estava cá publicada) e não havia série nenhuma. Entrei no livro sem saber quase nada, exceto que era uma distopia e lá ia eu pronta para encontrar um mundo semelhante ao Jogos da Fome. Encontrei algo ainda pior e mais visceral: o mundo que Atwood cria é uma chapada para qualquer leitor, mas, para uma mulher, é um sufoco. Um sufoco sussurrado porque Offred não tem direito a nada. Na verdade, nem o seu nome tem (releiam lá o Offred). Se ainda não souberem nada sobre este livro, não procurem, não leiam a sinopse, não vejam a série. Leiam o livro. 

Tenho muitos livros de autores portugueses que adoro, inclusive contemporâneos, mas posso parecer um bocado básica e escolher a melhor “telenovela” que li no 11º ano? Sim, estou mesmo a falar d’Os Maias. E desculpem lá, mas fui mesmo a única a ter uma paixoneta pelo João da Ega? IMPOSSÍVEL, não acredito em vocês, o homem é hilariante.  

E, por fim, tenho de escolher um livro que eu trouxe para a euforia. Sim, todos são especiais, todos são incríveis, particularmente os das autoras portuguesas (seria injusto escolher só um!). O livro que me fez mudar de ideias sobre o dark romance, o livro que me apaixonou pelo género, o livro que prova que a ficção de género pode ser bem escrita e ter capítulos grandes: Às Escuras. Não vou começar aqui a minha dissertação, o texto já vai longo, só tenho uma recomendação: TÊM DE LER O JOSH E A ALY E O FRED. 

 

Rita Fonseca 

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