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Entrevista a Sara Cate
«Penso que, enquanto mulheres, em particular, tendemos a ser tão duras com nós próprias que aceitar o amor e os elogios de alguém que admiramos se torna difícil.»
Sara Cate vive no Arizona, nos Estados Unidos da América, na companhia do marido, dos filhos e do seu cão. Quando não está a escrever, está a ler ou a cozinhar.
Conhecida por criar personagens complexas e intensas, além de histórias de romances proibidos e de tabus, o seu percurso na escrita, que começou por ser apenas um hobby, tornou-se num reflexo da sua perseverança e paixão.
Reconhecida pela crítica, consolidou-se como uma das principais referências da literatura romântica contemporânea.
É autora de bestsellers do USA Today, como The Home-wrecker, Madame, Fica Comigo e Elogia-me.
Elogia-me vai chegar às livrarias portuguesas a 16 de junho. Até lá, fique com a entrevista que fizemos à autora.
Em Elogia-me, é explorado um relacionamento com age-gap (diferença de idade) de forma subtil. O que foi mais importante para ti ao escrever essa dinâmica?
O consentimento está sempre em primeiro plano para mim. A mensagem central do romance é que Charlotte encontra a confiança em si mesma não só para se envolver com homens que considera “fora do seu alcance”, mas também para aceitar que ser submissa é uma escolha que faz ativamente. É algo que ela aprecia e não há vergonha nisso. O mesmo acontece com a diferença de idades entre eles. Charlotte nunca é coagida ou manipulada. É respeitada e tem voz. O Emerson nunca lhe tira nada, apenas dá.
O que inspirou a relação entre Emerson e Charlie?
A história começou com aquele encontro casual em que ela se vê no escritório dele, confundida com uma das suas subordinadas. Esta ideia surgiu primeiro e, a partir daí, quis explorar tudo o que iria acontecer entre eles. Como superariam a diferença de idades? Como reagiria ela a este novo desejo e estilo de vida? Como reagiria o filho dele (e ex-namorado dela) à relação? Começo sempre com um “e se” e desenvolvo a partir daí.
Na tua opinião, com o que é que os leitores mais se identificam na série Salacious Players’ Club?
Há uma cena em que Emerson obriga a Charlotte a falar positivamente sobre si própria, e ela desaba, incapaz de dizer uma única coisa boa sobre si. Recebo muitas mensagens de leitores sobre como esta cena os afetou e o quanto se identificaram com ela. Penso que, enquanto mulheres, em particular, tendemos a ser tão duras com nós próprias que aceitar o amor e os elogios de alguém que admiramos se torna difícil. Esta é também uma das coisas que os leitores mais adoram em Emerson. Incentiva-a a ver-se como ele a vê e, por sua vez, encoraja-a a amar-se tanto quanto ele a ama.
Que personagem da série representou o maior desafio para ti enquanto escritora?
Garrett Porter, do segundo livro, Eyes on Me (que está para breve), foi particularmente difícil. A sua viagem não foi como eu esperava e os seus demónios eram muito piores do que eu imaginava. Mas, depois de tudo concluído, foi um dos livros mais gratificantes e que mais me orgulharam em toda a minha carreira. Adoro o Garrett por isso.
Gostaríamos de saber quais os livros/autores que te inspiram em geral e o que te inspirou a escrever Elogia-me?
Inspiro-me muito em algumas autoras contemporâneas como Sierra Simone e E.L. James. Adoro como normalizaram o tabu e o fetiche nos romances convencionais. Eu queria fazer o mesmo com esta série.
Que mensagem gostaria de deixar aos leitores portugueses que aguardam com expectativa este lançamento?
Há realmente muito a aprender nesta série – não só sobre o estilo de vida kink, mas também sobre nós mesmos. Espero que leiam cada livro com a mente aberta e saibam que é muito mais do que apenas picante. Espero que todos gostem imenso!
Magda Filipe



