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Editorial

Gostamos de BDSM nos livros? Ou é uma abominação?

“Ah e tal, BDSM são só personagens a ser safadões”. Já todos ouvimos isto, não já? Já nos sentimos julgados por gostar de formas diferentes de spice, já escondemos o livro ou o e-reader quando estamos a ler spice nos transportes públicos. 

Mas se gostamos, porquê esconder? 

Há uns anos, o BDSM não era muito popular em livros, mas com o crescimento do dark romance, temos conseguido explorar vários tipos de spice que nos dão outra perspetiva da sexualidade dos personagens (e apimentam um pouco as nossas vidas de leitores também). 

Achas que todos os romances deviam ter BDSM? Porque é que as leitoras gostam dessa representação?  

Não achamos que tenha de estar sempre presente, mas gostamos do leque de possibilidades e de fantasias que abre num dark romance. 

Porque é que gostamos? Vamos voltar atrás e lembrar o porquê de gostarmos de dark romance. NÃO É REAL (na sua maioria, cada qual faz o que entende). Vamos imaginar uma cena de spice que se passa numa cama normal, numa casa normal…gostamos. 

Agora, vamos pensar numa cena de spice que envolve diversos objetos (alguns que nem nos passam pela cabeça), em que todos os movimentos são descritos com mega tensão, vulnerabilidade e intimidade (sim, porque não é qualquer casal que consegue essa intensidade emocional que vai para lá do ato)… adoramos! 

Tem de ser um casal que transmita total confiança um no outro. O BDSM é um jogo de sedução, de poder, mas só funciona com boa comunicação e medo medido. A ideia não é os personagens estarem assustados, mas sim expectantes com o desconhecido.  

Já leste Elogia-me da Sara Cate, ou Às Escuras da Navessa Allen? 

Nesses livros podes explorar um pouco do género, principalmente a kink do elogio e vais perceber o que queremos dizer. 

Lembrando sempre que podes querer ler sem querer praticar e que o consentimento é a palavra de ordem de qualquer cena de spice, principalmente de uma com estes contornos.  

Por isso não, não são “safadões”, são personagens que se permitem ir mais longe, explorar curiosidades e intensificar as ligações, já de si intensas, que têm com o seu par.  

 

Magda Filipe

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