
Outros artigos Euforia+:
Categorias Euforia+:
Os livros favoritos de… Sandra May, autora de Thriller
Nós somos pessoas que mudam de restaurante favorito de três em três semanas. Mudam de série. Mudam de penteado. Mudam de estilo de vida. Mas de livro favorito? Nah! Isso é que era bom.
Um livro favorito não é um livro de que gostámos. É um livro que nos estragou para os outros. É aquele que nos faz fechar a última página e pensar: “Pronto. Agora convençam-me de que existe algo melhor.”
E começa a tragédia.
Lemos um thriller e pensamos: “Sim… mas O Jardim das Borboletas fez-me desconfiar até da minha própria sombra.” Este é um livro que nos engana pelo título por ser considerado quase angelical mas assim que começamos a ler nos dá uma chapada psicológica com luva de seda. Há borboletas, sim… mas ninguém avisou que vinham com trauma, tensão e vontade de desaparecer do mundo. Nunca pensei a beleza das borboletas fosse tão bela quanto de perigosa.
Pegamos num romance e suspiramos: “É bonito… mas O Romance em Amesterdão deixou a fasquia num sítio que nem um salto com vara lá chega.” Uma história com charme europeu, ruas bonitas, sentimentos à solta e aquele tipo de romance que nos faz suspirar como se estivéssemos junto a um canal, de cabelo ao vento, mesmo que estejamos de pijama no sofá a comer bolachas. É uma história que li com 15 anos e que faço questão de a ler todos os anos e todas as vezes encontro sensações novas.
Depois aparece uma história de amor e o cérebro, que claramente gosta de criar problemas, diz: “Está bem… mas fez-te chorar como Mil Beijos? Não? Então senta-te.” Preparem os lenços, a hidratação e talvez uma reunião de emergência com o coração. Este livro é amor em estado bruto: doce, intenso e emocionalmente perigoso. Parece fofinho. Depois destrói-nos sem qualquer piedade e logo nas primeiras páginas. Queria voltar no tempo para o ler pela primeira vez. Mudou a minha vida e tenho a certeza que mudará a vossa também.
É injusto para os outros livros? Talvez. Mas os favoritos têm esse poder. Não ocupam apenas uma prateleira. Ocupam um lugar na nossa memória emocional. Tornam-se a régua invisível com que medimos tudo o que lemos depois.
Os meus continuam a ser estes.
Sandra May



