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Porque é que as leitoras se sentem atraídas por dark romance?
O dark romance tem tido um crescimento mundial, mas também é notável o crescimento que teve em Portugal. Os leitores deste género são maioritariamente mulheres de várias idades (e, curiosamente, alguns homens também).
Mas porque é que as leitoras se sentem atraídas por estes livros?
Este tema dava para escrever uma tese, mas vamos por partes.
1. Começando pelo mais óbvio…personagens masculinos atraentes e muito duvidosos.
A maioria dos personagens masculinos dos dark romances são personagens que não queríamos conhecer na vida real. São homens violentos, criminosos, pertencentes a gangues ou até mesmo à máfia. São homens com passados muito negros, que moldaram a pessoa fria que se apresenta agora.
Porque é que gostamos disto? Porque estes personagens são assim para toda a agente, menos para a protagonista feminina.
O homem vai proteger a sua mulher de tudo e todos, dá-lhe total controlo sobre a situação e submete-se aos desejos e vontades da mulher. É por isso, meus caros.
Ele é assassino? Sim, mas não faria mal à sua mulher NUNCA. Ele é criminoso? Sim, mas faz de tudo para proteger a sua mulher dos perigos dessa vida. Ele é violento e possessivo? Sim, é capaz de partir um nariz a alguém se olhar para ela. Mas ama a personagem feminina da forma mais intensa que podem conhecer.
Se queremos um homem assim na vida real? NÃO, mas os homens podiam aprender alguma coisa com estes personagens no que toca ao respeito e à lealdade.
E essa é a beleza da ficção. O que nos leva ao próximo tópico…
2. O cérebro feminino adora o perigo…desde que seja fictício?
As mulheres estão mais que acostumadas aos perigos diários provocados, maioritariamente, por homens. Estão habituadas a viver com medo de alguém que olha, de alguém que se aproxima sem ser convidado. De não poder fazer nem dizer nada sem julgamento a acompanhar.
No dark romance, as personagens deparam-se com situações de grande perigo, e envolvem-se com estes homens completamente chalupas, mas há uma liberdade para a exploração dos desejos e vontades da personagem feminina.
A exploração daquilo que aguentamos enquanto seres humanos, daquilo que conseguimos superar perante situações que (felizmente) não nos acontecem todos os dias.
Esta exploração do medo dá ao leitor uma adrenalina alucinante. Não é à toa que dizem que os dark romances são impossíveis de largar. Não são só as cenas sexuais. Há muitos bons livros dark que nem têm muito smut. É a liberdade de explorar os limites do ser humano, sem sofrer consequências reais.
Novamente, não queremos isto na vida real. Se não estivermos confortáveis fechamos o livro e vamos à nossa vida.
3. As tropes mais dark
As tropes fazem toda a diferença na decisão de escolher um livro para ler. Desde que o TikTok explodiu que é quase impossível não procurarmos as tropes e os avisos de conteúdo de um livro antes de o comprar.
Quais são as tropes mais comuns do dark romance? O poder feminino, porque as personagens são sempre badass que conseguem vergar qualquer homem; A obsessão que o personagem masculino sente sobre a mulher e o esforço que demonstra para a conquistar; O belo enemies to lovers ou romance proibido, porque também é sempre o mais apetecido; Uma das minhas preferidas, reverse harém ou RH, em que a mulher não é obrigada a escolher um pretendente e prender-se a ele até ao final do livro. Não temos de escolher o nosso preferido e não sentimos essa pressão ao longo da leitura. Somos livres de ter mais favoritos e de explorar diversas relações.
De forma resumida, o dark romance coloca a mulher no centro da narrativa. Com um poder e liberdade que não tem na vida real. As peripécias enchem-nos de adrenalina e permitem-nos explorar vários temas não aceites socialmente, sem sofrer qualquer julgamento (porque felizmente ainda somos livres de escolher o que queremos ler).
NÃO QUEREMOS VIVER UM DARK ROMANCE NA VIDA REAL. Só queremos ler histórias intensas, de amores arrebatadores que quebram fronteiras e desafiam tudo aquilo em que acreditamos. Este género também toca muito na questão da superação de traumas, na autodescoberta, na possibilidade de nos reerguermos.
E é tudo isso e muito mais que gostamos num dark romance.
Magda Filipe



