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Editorial

Em abril lemos o que bem nos apetecer

Antes da revolução, não podíamos ler os livros que queríamos.
Antes da revolução, entrávamos numa livraria e só estavam expostos os livros aprovados por quem estava no poder.
Antes da revolução, não podíamos escrever o que queríamos. 

Muitas das nossas leitoras, e mesmo da nossa equipa, nasceram depois de 1974. No entanto, os nossos pais e avós têm feito um bom trabalho para que não nos esqueçamos do que havia antes de nós:
opressão,
censura. 

Nenhuma de nós quer voltar atrás, mas é tão fácil dizer “acho que esse livro não devia ter sido publicado” ou “acho problemático que as pessoas tenham acesso a esse livro”. É tão fácil boicotar, censurar, julgar alguém pelas escolhas que faz. Mas a liberdade não é isto. 

Para sermos livres, os leitores têm de ter acesso a tudo, fazer as suas opções e interpretar os livros como bem quiserem. Às vezes, podem fazer opções “erradas” ou interpretar de uma forma de que não gostaríamos? Talvez. Mas a liberdade não foi conquistada para termos um pensamento uniforme. A liberdade é desafiante: enraivece-nos, obriga-nos a pensar no que não queríamos, de todo, encarar. 

A liberdade existe para que haja debate, troca de ideias e reflexão. Mas, para que isso aconteça, tem de haver leitura. Sim, de romances. Sim, de desenvolvimento pessoal. Sim, de clássicos. Sim, de contos. Sim, de livros infantis. 

Enquanto editora, acho que é absolutamente essencial que as velhas, as intermédias e as novas gerações leiam. Não falemos apenas dos jovens que estão “sempre agarrados ao telemóvel”, quando sabemos que a geração de 70 padece do mesmo mal. 

A liberdade foi conquistada, mas, para a mantermos, temos de saber interpretar, distinguir informação falsa e questionar. E a melhor maneira de nos munirmos destas armas é com a leitura. 

Para que possamos ler o que bem nos apetecer. 

25 de Abril, sempre. 

 

Rita Fonseca

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